quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A Copa e a POESIA !


essa copa


De Rodrigo Hermano
essa copa.
essa copa
o tempo todo

essa copa
enchem jornais:

obras da copa
prazos da copa

essa copa

essa copa de caveiras em brasas
essa copa de vielas incendiadas
de gritos desesperados
de berros infernais calados
em carbonizadas arcadas dentárias
no Instituto Médico Legal

essa copa

essa copa de pessoas aflitas
sem teto e sem chão
essa copa intragável
essa copa imperdoável

essa copa

que nos reduziu a objetos
que nos agracia
com todos os dejetos
altera nossos trajetos

essa copa

contra nossos projetos.

essa copa

chegou esta maldita copa.
contra ela milhões de fantasmas
nas vitrines, nas ruas
berram, lamurientos gritos
um violão depenado
chora um samba triste.
ninguém entendeu,
saíram dançando
gringos alegres.
oh, mas que merda infinita,
estes ricaços imbecis
não entendem nada.

esta copa

onde aceito ser o souvenir
ser objeto dançante, refletido
no sorriso fútil e ofensivo
daquele gringo
em ridículas roupas de safári
confortado em suas bela poltrona
horas de vôo desde Londres.
repetindo como papagaio inquieto:
"Brazil: sex, football, cachaça, mulata"
canalhices que aprendeu nos jornais
já estamos oprimidos, venha a nós
Venha nos tratar como bonecas infláveis
amparado pelos policiais.

essa copa,

o que fazer dela e de nós?
onde nos colocamos na discussão?
o que restará depois da carnificina?
sentir o cheiro da terra queimada?
das lágrimas evaporando
missas em memória dos falecidos?
cimento fresco e dólares?
nós, que fomos passivos.
chocados.
e pacificados.
quantos jantares finos teremos?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

HORA DO CINEMA !!!

Nesta publicação vou apresentar aos cinéfilos de plantão, historiadores ou ávidos por cultura, um filme soviético raro, "Vá e Veja" de 1985.


Filmes perturbador, um filme de guerra diferenciado, nele não há heróis, não há mártir, apenas vítimas. 


Segue uma bela apresentação do filme, escrita por Rodrigo Carreiro:



Você pode ser um cinéfilo experiente e acreditar que já viu de tudo, dentro do gênero “filme de guerra”. Pois não viu. Pelo menos até encarar de frente a obra-prima russa “Vá e Veja” (Idi i Smotri, URSS, 1985). Relato duro, seco e impassível do ataque nazista à União Soviética, em 1943, o longa-metragem transpõe para celulóide as terríveis memórias de infância do cineasta bielo-russo Elem Klimov, que sentiu na pele a violência da guerra. Graças a uma ousada tour-de-force de edição de som e operação de câmera, Klimov foi capaz de alcançar e manter, do início ao fim do espetáculo cinematográfico, um impressionante rigor formal, mesclado com altíssimo nível de emoção. Ele produziu, assim, um dos espetáculos mais brutais e desconcertantes já exibidos em uma tela de cinema. É um filme que atinge o espectador direto no estômago, com a força de um soco. Um filme que desorienta.

BOM FILME !!

Tamanho: 570 Mb
Formato: RMVB
Idioma: Russo
Legenda: Português







segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O conteúdo de classe das diversas reformas e as ilusões governistas

FONTE: http://ujcsm.blogspot.com.br/2012/05/o-conteudo-de-classe-das-diversas.html#.URA12B37J-l 
Latuff. "Prioridades do Governo"
"esse remédio jamais vai curar
esse remédio eu conheço, é aspirina
isso só faz com que a cabeça descanse em paz
enquanto a confusão contamina"
(Acústicos & Valvulados)


A falsa dicotomia: soluções estruturais (universalização) versus soluções imediatas (focais)

Uma das grandes confusões semeadas conscientemente pelas direções reformistas é dicotomizar, criar falsas contradições, entre soluções universalizantes e soluções pontuais, falsas contradições entre “hoje” e “amanhã” para camuflar o conteúdo de classe das diferentes reformas. Na literatura revolucionária este assunto foi ampla e profundamente enfrentado no início do século passado e ficou sintetizada a posição revolucionária em textos como O Estado e a Revolução (Lênin, 1918) e Reforma ou Revolução (Rosa Luxemburg, 1900).
As classes exploradas e oprimidas no capitalismo construíram várias formas de luta, desde soluções pontuais até às mais universais. A solução mais geral que o proletariado construiu é a revolução socialista rumo a uma sociedade sem classes. Ao contrário da propaganda reformista, na verdade a revolução socialista NÃO implica em deixar de fazer reformas, IMPLICA em articular as reformas com o fortalecimento do proletariado contra o capital, rumo à emancipação política do primeiro. É fundamental então indagar sobre o conteúdo das REFORMAS, pois há reformas e reformas. Assim como o Estado tem um conteúdo de classe, as reformas também.
A classe capitalista, madura em conservar seu domínio, articula sistematicamente reformas que, conforme a máxima “oferece anéis para preservar os dedos”, procura neutralizar a luta revolucionária. Ocorre que o reformismo não distingue as reformas, suas direções fazem isso de forma consciente, porém muitos desavisados são enganados por esta sutileza. Na prática, os coletivos vão “intuindo” sobre esta incapacidade do reformismo em orientar uma estratégia revolucionária. Esta “intuição” revolucionária, ocorre de muitas formas, uma dela é a negação da práticas e/ou da organização do reformismo. Só com um grau mais elevado de consciência revolucionária é que se tem clareza sobre as implicações estratégicas do reformismo. Dado o seu potencial desmobilizador, é fundamental enfrentá-lo, tanto nos atos quanto nas palavras.
Para a Universidade brasileira, o capital tem um projeto de reformas que procura transformá-la de “fordista” em “toyotista”, ou seja, uma reforma burguesa para adequá-la às necessidades de 4 grupos (pelo menos):
- Capitalistas da educação privada (ProUni);

- Capitalistas de outros setores, como o industrial (ReUni);

- Banco Mundial (formulador burguês internacional para o setor educacional);

- Burocracias sindicais e outros agrupamentos reformistas integrados ao Estado burguês.
Este bloco conservador e gestor do Estado burguês no Brasil, incorpora, portanto, além das frações dominantes da burguesia, o reformismo "neo desenvolvimentista", a "pequena burguesia política" (ou social-democracia retardatária), que tem o PT como um de seus principais expoentes. A orientação estratégica deste partido se diz “socialista”, mas não ultrapassa os limites do capitalismo e é a mais adequada forma política para gerir o capitalismo na atual conjuntura, exatamente pelo seu conteúdo reformista que confunde e desmobiliza a luta por reformas que fortaleçam o proletariado e classes apoio.
A estratégia que orienta este campo político, chamada “Democrática e Popular”, segundo a qual “proletariado é que deve realizar as 'tarefas em atraso' da 'revolução burguesa no Brasil'” não tem nenhuma contradição fundamental com o projeto de reformas do capital, pois as “tarefas em atraso” são uma gelatina desligada da necessidade de fortalecimento estratégico do projeto socialista. As “tarefas em atraso” que tentam “enquadrar” o diverso desenvolvimento do capitalismo numa mitológica “revolução burguesa clássica” (francesa) são o verniz popular do projeto burguês.
A confusão criada pelo reformismo é eficiente para capturar as reformas e amputá-las de seu potencial transformador, comprimindo as demandas concretas das classes subordinadas aos limites da ordem capitalista.
O reformismo perde fôlego exatamente quando apresenta sua incapacidade para resolver problemas e começa a ser empurrado, tensionado, pela base. Isso aparece inicialmente como “incompetência da direção” e mais tarde se revela numa profunda limitação estratégica.
Como apenas uma parte do movimento reformista possui consciência de si, consciência da própria limitação, muitos militantes ilusidos entram em crise, dado o constrangimento gerado pela contradição entre o discurso e a prática reformista. Por exemplo, quando uma categoria deflagra uma greve e o reformismo precisa atuar na desmobilização sem assumir que é contra greve.
Para a Universidade brasileira o reformismo tenta legitimar o projeto do Banco Mundial (do capital) “argumentando” que ocorreram “avanços” (reformas) e camuflando o resultado geral do processo: concessões mínimas em troca da desmobilização, mantendo as reformas nos limites da ordem.
Direções experimentadas e militantes ingênuos tentam desqualificar a posição revolucionária, os primeiros por interesse e os demais por ignorância, “justificando” que os reformas são mudanças dentro da ordem e portanto não há reforma revolucionária, mas apenas “reformas”. Como resultado lógico (não real) temos que "todo avanço é defensável", eis o engodo reformista.
Uma maneira de demonstrar claramente as diferentes reformas é comparar a posição reformista sobre a Universidade e o posição do movimento que mantém as bandeiras históricas das categorias:
O reformismo: “já foi pior”, “nunca antes na história deste país”, “estamos avançando” etc.;

Contraposição de esquerda: qualificar e articular reformas pontuais com soluções universalizantes.
Quando vencidos no debate político, os militantes ingênuos iludidos pelo reformismo, retrucam com uma pergunta maravilhosa: “então, o que fazer?”.
A resposta é:
- Exigir e lutar por solução reais para os problemas enfrentados pelas classes subordinadas até o ponto onde o capitalismo tem seus limites expostos, revela-se então seu conteúdo de classe, sua incapacidade de resolver os problema fundamentais da humanidade. Esta exposição atenderá a vários objetivos que o reformismo é incapaz de atender:
É extremamente pedagógica, educa sobre a realidade atual e a necessidade das mudanças (eleva a consciência de classe); Fortalece a organização das classes subordinadas, cria formas novas e germinais do futuro poder, fortalece as já existente e adequadas e ajuda a superar formas inadequadas;
Possibilita as reformas, pois o reformismo é incapaz de alcançar grandes avanços, pois não ameaça o status quo.
A revolução começa no capitalismo e só se completa com a superação dele! Para isso é necessário, estudar, organizar e lutar! Sem ilusões reformistas!
-----------
Para uma leitura mais aprofundada sobre as estratégia das organizações no Brasil:

domingo, 13 de janeiro de 2013

*HISTÓRIA, MODERNIDADE E RACISMO




**João Pedro Fernandes dos Santos

“Quando o jovem na FEBEM “toma o telhado de assalto”, eles estão querendo mostrar o que as pessoas não estão vendo embaixo destes telhados e atrás daqueles muros. Quando fazem isto, é apenas o reflexo do que é feito com eles Se não existe o mínimo respeito com o ser humano, ele perde totalmente a noção do que é respeito.”
Marcelo Buraco, Fundador da posse Negroatividade de S. André.

O povo brasileiro tem recebido uma avalanche de (des)informações sobre a redução de idade penal com justificativas de toda ordem, mas sem o debate necessário que o tema merece. A mídia hegemônica tem se desdobrado como porta-voz da elite brasileira, branca, racista e eurocentrista. As (des)informações que chegam a nossas casas têm como norma o esquecimento e/ou a negação da gênese da formação do povo e da sociedade brasileira.

Aqueles que reclamam do Estado uma solução rápida para os problemas da violência esquecem, com facilidade, que a história do Brasil é eivada de horror contra o povo. Foram 350 anos de escravidão e há um fosso de desigualdade social e racial que se alarga todo dia pela concentração de renda, poder, saber e justiça.

Dentre as propostas que visam reduzir a maioridade penal, temos a PEC 151/95, que tramita na Câmara dos Deputados. Para nós, é um atentado à vida e, principalmente, às crianças e aos adolescentes, pois pretende retirar da Constituição Federal a previsão de qualquer limite mínimo de idade para a responsabilidade penal.

Quando a criança e o adolescente tornam-se um problema, é sinal que a sociedade não está respondendo aos anseios desta parcela da população. Tomando ciência da argumentação do relator da proposta, deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), é impossível não perceber o que os representantes das elites defendem, vejam a hipocrisia de tal argumentação: “a proposta é importante porque a modernização legislativa configura uma decorrência natural da modernização da sociedade brasileira”, é pura e simplesmente a negação histórica do Código Penal desde o Brasil – Colônia até nossos dias. E, cá para nós, o rebaixamento da idade penal nada tem a ver com necessidades modernas em nosso país.

Confesso que sou leigo, não tenho formação em Direito, mas o professor Nilo Batista tem sido um guia na minha compreensão sobre a história do Código Penal Brasileiro e, diante da insistência do tema, resolvi ir às fontes e fazer uma pequena pesquisa sobre o Direito Penal no que tange a idade mínima de responsabilidade penal no Brasil.

Vamos fazer juntos uma pequena digressão histórica sobre o tema. Já em 1603, o livro V das Ordenações Filipinas, no Titulo 135, fixava a idade de 17 anos para imputabilidade penal. Naquele tempo, no Brasil, a densidade demográfica, em sua maioria, era de indígenas e de africanos que começaram a chegar ao país em 1535/1550. Esta lei vigeu por mais de dois séculos. Com o advento da Independência, é promulgada a primeira Constituição Brasileira e, com ela, entra em vigor o Código Criminal do Império, em 1830, que reduz ainda mais o limite de idade, agora para 14 anos.

A luta intestina das elites contra e a favor da abolição e a sede pelo poder central, desembocam na “expulsão” da família real brasileira e na instauração da República, e este evento necessitava de um novo contrato jurídico e social. Embora nossa primeira Constituição Republicana inspirada na revolução burguesa da França, com ideais de igualdade, fraternidade e liberdade, traduz subjetivamente que somos iguais perante a lei, a ordem social que se instaura num país de pessoas agora “livres” necessitava de instrumentos de controle e coerção que realizassem a passagem sem ruptura do negro das senzalas (gênese dos campos de concentração) para os bolsões de exclusão.

E o Código Penal Republicano é este simbólico instrumento legal que autoriza, em 1890, a responsabilidade penal a partir dos tenros 9 anos de idade. Esta vigeu por mais de quatro décadas e, em 1932, com aprovação da Consolidação das Leis Penais, elevou-se o limite mínimo para 14 anos. Em 1940, quando o Estado Novo faz a reforma penal e aprova um novo Código Penal, estabelece a idade mínima de responsabilidade penal aos 18 anos. Esta idade limite permaneceu na Constituição Cidadã, promulgada em 1988, em seu artigo 228, e continua em vigor.

Como percebemos a redução da idade penal (ou como a PEC 151/95 deseja), não tem, objetivamente, qualquer critério modernizante ou de novidade, o que a constitui, em sua essência, é a negligência do estado brasileiro em resolver problemas estruturais de educação e de integração social e econômica da juventude.

Num tempo não muito distante, a juventude brasileira tinha como projeto apenas uma frase oca, opaca e que era mera ilusão e um embuste de quem estava no poder. Vale a pena lembrarmos a que mais ouvíamos: “Jovens, vós sois o futuro do Brasil”. Que futuro, sem um projeto sequer, tanto na esfera federal, estadual ou municipal? Desde quando qualquer governo esboçou um programa, um projeto viável de levar em conta a juventude brasileira, com o intuito de garantir realmente este futuro embutido em frases que não dizem nada? Enquanto isso, o Movimento Negro Brasileiro e seus aliados lutam por políticas publicas de inclusão social e racial, por ações afirmativas para o povo negro.

A defesa do ideário que leva em conta o rebaixamento da idade penal nada mais é que a idéia de inclusão perversa, a inclusão penal da juventude. Diante de fatos recentes, mergulhados num sentimento de ameaça antigo que acompanha o sono das elites, vamos mais uma vez arrastando nossas contradições para o futuro, com a escolha do sistema penal como o instrumento apto de intervir nessa realidade, com o viés centrado em práticas repressivas em detrimento das preventivas. É preciso ser dito: é uma opção clara pela morte, em detrimento da vida de milhares de jovens, deixando intactos os problemas centrais da segurança pública.

Com a legitimação deste ideário fascista, a do criminoso nato, já defendido nos trópicos por Nina Rodrigues e agora com clichê neo-positivista, que intenta, contra a essência histórica do homem, o da superação humana; e assim embretam a sociedade e a juventude brasileira, num processo dogmático pós-moderno e do pensamento único. Não tenho dúvida, portanto que a redução da idade penal é um risco muito grande pelos efeitos colaterais que provocará na sociedade brasileira. A retomada de leis que visam à redução da idade penal nada mais é do que novas formas de exclusão e de eliminação da juventude negra e da periferia.

O que desejamos é que o movimento negro brasileiro, os operadores do direito e juristas democratas não permaneçam passivos diante de mais uma afronta à cidadania da juventude e ao Estado Democrático de Direito.

* Este artigo é a síntese do pensamento de vários articulistas que defendem o não rebaixamento da idade penal em nosso país. É certo que ao lerem, terão a impressão, de já haverem lido nosso artigo em algum lugar, mas também é a reafirmação de minha manifestação contra o ideário fascista de culpar a juventude pela as mazelas que a sociedade brasileira está imersa. Principalmente a juventude negra e da periferia.

**Pedagogo e Coordenador do Centro de Cultura Afro-brasileira “Maria Terezinha Leal Andreia Santos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Governo Tarso aprova calote no piso do magistério





Por Jorge Nogueira 

Porto Alegre, 19 de dezembro de 2012. Essa data entratará para a História política do Estado do Rio Grande do Sul como o dia em que o estelionato eleitoral - tão corriqueiro nos últimos anos em várias localidades do país e do mundo - foi legalizado, institucionalizado.

Porto Alegre, 19 de dezembro de 2012. Essa data entratará para a História política do Estado do Rio Grande do Sul como o dia em que o estelionato eleitoral - tão corriqueiro nos últimos anos em várias localidades do país e do mundo - foi legalizado, institucionalizado.

Na manhã deste dia, uma quarta-feira, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou o projeto do Governo Tarso que prevê um reajuste de 28,98% para os professores estaduais, dividido em três parcelas: 6,5% em novembro de 2013, 6,5% em maio de 2014 e 13,72% em novembro de 2014. [1]

Com esses índices o piso salarial do magistério gaúcho chegará a R$ 1.260,29 [2] somente no final de 2014, muito abaixo dos atuais R$ 1.451,00 - que ainda deverão ser reajustados em 2013 e 2014.

Na prática foi legalizado e institucionalizado pelas instituições políticas do Estado o calote no piso do magistério, um tremendo estelionato eleitoral, já que o então candidato Tarso Genro se comprometeu com a categoria com o cumprimento da lei que ele próprio ajudou a elaborar quando ministro do Governo Lula, como pode ser verificado no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=1P0RzJj0FgM&feature=related


Uma Santa Aliança

Diante do iminente estelionato eleitoral e ciente da erosão política e eleitoral que pode causar, o Governo Tarso tem tentado descredenciar e desmoralizar a direção do sindicato dos professores (CPERS) utilizando velhos chavões da direita e tem contado com a ajuda amigável do famoso PIG para essa tarefa suja.

A direção do CPERS é acusada pelo governo petista de "partidária", de ter transformado a luta pelo piso em "luta política" e até de estar "distante da base". [3]

Sobre a questão "partidária" cabe esclarecer que a direção do CPERS é pluripartidária, abrigando um setor do próprio PT que o governo não conseguiu cooptar, o PSOL e o PSTU, sendo que a atual Presidente, Rejane Oliveira, é petista.

Se um sindicato plural é "partidário" só porque não aceitou ser submisso ao governo (como ele desejava), como chamar então aqueles sindicatos que se tornaram correias de transmissão das gestões petistas?

Em relação ao "distanciamento da base" seria interessante perguntar ao governo por que ele aprova projetos por decreto ou no final do ano letivo, além de calar a direção do CPERS em "debates" como o da Reforma do Ensino Médio, se o referido sindicato não consegue mais mobilizar a sua base e ela não quer mais escutá-la?

Por fim, a acusação de "luta política" é o argumento mais pueril de todos, pois toda a luta social é uma luta política.

Apesar dos fatos mostrar a puerilidade desses argumentos, eles vêm sendo repetidos por jornalistas da grande mídia local. Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora do Grupo RBS (filial da Rede Globo no RS), atacou os posicionamentos da direção do CPERS um dia depois da votação e chegou a defender o Governo Tarso. [4] A postura da jornalista mostra o quão consequente e sincera é a campanha de "defesa da educação" [5] da empresa que ela trabalha e o quanto o PIG é parceiro do PT para atacar os trabalhadores.

Não bastasse a verborragia da direita mencionada acima, há ainda uma outra falácia repetida ad nauseam pelo governo e por alguns jornalistas da grande mídia para tentar ludibriar a sociedade gaúcha: o índice de reajustes concedidos pelo governo ao longo de sua gestão.

Segundo eles o índice de 76,68% deve ser comemorado pois não teria sido concedido a nenhuma outra categoria. Ora, celebrar um aumento que não atinge o piso da categoria e ainda comparar com outras categorias que recebem ao menos o piso não faz o menor sentido.

Por que o Governo Tarso não paga o piso?

Para responder a essa pergunta reproduzo trechos do artigo em que abordei a Política Industrial anunciada pelo Governo Tarso no primeiro semestre:

"Desde o início da sua gestão o Governo Tarso tem se notabilizado por demonstrar, em curtíssimos espaços de tempo, para quem realmente governa.

Onze dias após a sua posse o governo conseguiu a aprovação, em regime de urgência, de um generoso aumento para os apadrinhados políticos. [1] Dois dias depois seu Secretário da Fazenda veio a público reclamar das dificuldades financeiras do Estado e fazer advertências aos servidores referente a reajustes salariais. [2]

Em 27 de junho de 2011 Tarso esteve em Guaíba inaugurando uma Zona Industrial onde operariam várias multinacionais. E dirigindo-se a elas o governador não titubeou: "Vai ter dinheiro. Guaíba é prioridade" [3]. Na mesma linha foi o seu Secretário Executivo do CDES, Marcelo Danéris: "As empresas terão o que precisam para funcionar" [ibidem].

Um dia depois o governo se mobilizava pela aprovação de um pacote que instituía o calote nos precatórios e a privatização da previdência pública com o argumento de que se tais medidas não fossem aprovadas o Rio Grande do Sul se transformaria em uma Grécia. [4]

Em 10 de janeiro de 2012 o governador Tarso Genro manifestou interesse em conceder um 13° salário para os seus secretários. [5] Um dia depois o Secretário da Fazenda veio novamente a público para afirmar que o Estado não pagaria o piso dos professores por problemas financeiros. [6]

Em 24 de fevereiro do corrente ano o Governo Tarso apresenta à sociedade gaúcha um cronograma de reajustes que não paga o piso dos professores. Reclama, mais uma vez, de problemas fiscais e afirma ser o "acordo possível". Um dia depois o governador participa de um evento com grandes fazendeiros. E a eles declara: "O Estado tem dinheiro para os arrozeiros" [7]" [6]

Ainda no mesmo artigo, destaco as palavras do governador Tarso Genro dirigida aos empresários e que busca justificar a sua Política Industrial:

"Conhecíamos a realidade do Estado e, por esse motivo, optamos por não pedir tempo à sociedade gaúcha e tampouco lamentar as dificuldades financeiras. Preferimos dar respostas imediatas à população e constituir as condições para a execução de políticas de médio e de longo prazo." [idem 6]

Ou seja, Tarso já conhecia a realidade do Estado, o que refuta a falácia de que ele seria vítima das finanças públicas supostamente insuficientes para pagar o piso do magistério.

Como fica claro na observação dos fatos, Tarso Genro escolheu um setor da sociedade para governar e este setor não foi o dos trabalhadores. Sua Política Industrial, por exemplo, prevê além de isenções fiscais para as grandes empresas, o endividamento do Estado - via BNDES e até Banco Mundial - para financiar e subsidiar as grandes empresas. Não foi por acaso que recentemente seu governo ampliou as benesses fiscais para a Gerdau mesmo com o fato de a própria empresa admitir que não garantiria empregos. [7]

________________________________________

[1] AL aprova 28,98% de reajuste parcelado para o magistério (19/12/2012):
http://www.sul21.com.br/jornal/2012/12/deputados-aprovam-reajuste-de-2898-parcelado-para-o-magisterio/

[2] Aumento de 28,98% consolida reajuste de 76,68% ao magistério (19/12/2012):
http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/noticias_det.jsp?ID=10712

[3] Cpers: aumento do magistério tenta desmobilizar luta pelo piso (20/12/2012):
http://www.sul21.com.br/jornal/2012/12/cpers-diz-que-aumento-do-magisterio-e-tentativa-de-desmobilizar-luta-pelo-piso/

[4] Inimigos da educação (20/12/2012):
http://wp.clicrbs.com.br/rosanedeoliveira/2012/12/20/inimigos-da-educacao/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13

[5] A Educação Precisa de Respostas:
http://www.clicrbs.com.br/especial/br/precisamosderespostas/capa,1429,0,0,0,Home.html

[6] Política Industrial de Tarso: um entreguismo sem precedentes (03/04/2012):
http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2012/04/politica-industrial-de-tarso-um.html

[7] Governo Tarso amplia benesses para a Gerdau (04/11/2012):
http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2012/11/governo-tarso-amplia-benesses-para.html

FONTE: URL:: 
http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2012/12/governo-tarso-aprova-calote-no-piso-do.html







sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Enganos, delírios e inocência !




As possibilidades do capitalismo se esgotam, ele entra em um momento onde a própria produção de mercadorias é uma autodestruição, pois esgotaram-se todos os limites geográficos civilizatórios do planeta. O capitalismo vai apresentar mais seguidamente suas crises estruturais como agora.  A exploração do trabalhador vai ficar mais aguda, o mundo do trabalho vai sofrer com a diminuição de vagas e precarização das poucas restantes devido ao desenvolvimento irracional das forças produtivas.

 . . . E com tudo isso terão aqueles ( e os conheço bem ) que vão repetir que existe possibilidades do capitalismo cair, acabar , devido a uma de suas crises. NÃO, ele não vai cair de podre, vai se reinventar e reinventar-se de modo cada vez mais limitado por suas próprias contradições e paradoxos.

...Menos ainda estarão corretos àqueles que dizem haver ganhos para a classe trabalhadora advindo  de "melhorias" da Social Democracia da estrela vermelha no poder. Pois a criação de compensações sociais é fruto do próprio movimento liberal internacional, ( vide FHC, e tantos países europeus, asiáticos e EUA ) até mesmo aqueles países que nunca experimentaram um WELLFARE STATE nos moldes dos países do centro co capitalismo  vagam em direção a caminhos de compensações, e estas DE MODO ALGUM ameaçam o capitalismo, pelo contrário, são formas de compensar taxas de lucros e de exploração do trabalho gigantescas.  Há uma luta de facções representativas do capital por poder, os discursos são os mesmos. Por isso o senso comum traduzir com a seguinte afirmação superficial: "todo partido é igual". Isso quebra a noção de organização das classes trabalhadoras em resistência. E abre caminho para o aglutinamento às voltas de partidos que apenas dirigem o capitalismo.


O que sobra é o clássico defensor do liberalismo ( direita clássica ) que sempre vai ter como melhor argumento: "Mas o capitalismo quando bem implantado ele da certo!" , isso depois de o liberalismo privatizar todos os meios mais básicos da sobrevivência humana.

Ainda terá o grupo dos que presos a sua individualidade mais ferrenha estarão fechados a todas estas questões e debates, o que lhes importa é o agora, e o que à eles ( no entender mais individualista possível  ) compete, são os típicos consumidores de tecnologia não por necessidade, mas para estar "por dentro", atualizado, o consumidor que transfere cognições e sentimentos ao objeto

consumido, que interliga sua vida à uma necessidade artificial construída por meio dos contantes martelamentos midiáticos que o diz: "compre!", "Beba!", "Use", "seja COOL!". Alguns até mesmo se organizam, mas ou são militantes a-políticos, que baseados na crença de que o poder político partidário é uma homogenização de interesses que não lhe insere, luta somente baseado no poder judiciário. Criam grupos de resistência sem identificação ideológica e assim, como todo grupo não organizado e com rumos, se desmancha no ar, uma reivindicação momentânea, tão quando seus desejos de consumo.

Esperança de mudanças no atual modelo de produtivo e por consequência de sociedade, somente virá das massas organizadas e com clareza de objetivo.  Somente assim, o povo unido e fazendo-se representar politicamente, poderá construir uma alternativa de mundo !


sábado, 15 de dezembro de 2012

Corrupção, mentiras ao trabalhador e traição


   Isso bem que poderia ser um roteiro de filme sobre gangsteres e de mafiosos pertencentes ao “Sindicato do crime” ou a “Cosa Nostra”, mas não, é o cotidiano da vida política de uma ex colônia Portuguesa de clima tropical a temperado que historicamente possui castas que se apropriam do estado e dele se utilizam para manter um sistema que é determinado por sua lógica, sua visão de mundo, a visão dos exploradores, dos que fazem o suor do brasileiro valer tão pouco.
   Tempos de condenações no Supremo Tribunal Federal, e de falácias aos 4 ventos de que temos uma “economia estável e próspera”, isso quando perdemos regionalmente em crescimento apenas para o Paraguai(1), país que ai ter sua economia encolhendo por causa de uma grave seca. Afora isso há movimentos de precarização das condições do trabalhador.
   Ocorre uma movimentação quase que na escuridão para preparar o terreno para mudanças na relações de trabalho, e assim abrir espaço para a superexploração do trabalhador.
 

Quem tem influência para tal?  O capitalismo no Brasil tem nome e sobrenome, é formado por grandes empresas e suas famílias controladoras, que se beneficiam deste modelo econômico.

 A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pretexto de tornar as empresas brasileiras mais competitivas, quer repassar para a sociedade o gasto com garantias trabalhistas mínimas que hoje competem aos empresários, diminuir o poder da Justiça do Trabalho por meio de desregulamentação das leis que garantem direitos como descanso aos domingos, jornadas de trabalho definidas por lei, licença-maternidade, restrições ao trabalho noturno, multas rescisórias e outros.”(2)

   E para isso a exploração inicia na sua forma mais escamoteada, escondida, é no aumento maior do ritmo da produção com relação ao aumento de salário, ou seja, se produz mais do que se recebe novamente, é a Mais-Valia em seu formato mais clássico.
   E você deve estar achando agora que estes empresários são o suprassumo do horrendo e da falta de caráter? E se eu informar que quem encabeça a petição por mudança na CLT ( Consolidação das Leis do Trabalho) não é somente o patronato, mas um sindicato que ao menos em teoria deveria defender os interesses dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ( Sim, aquele mesmo com uma carga histórica de lutas).

“No Brasil, tudo que é negociado entre patrões e empregados não pode se sobrepor a lei. Em outras palavras, não é permitido fazer nenhum acordo que diminua os direitos dos trabalhadores. O que foi legislado prevalece sobre o negociado, salvo se o que foi negociado seja melhor ao que está na lei.” (3)
  
   O objetivo deste sindicato (ligado a CUT) é criar o ACE (Acordo Coletivo Especial) em que os direitos dos trabalhadores poderiam entrar em negociação, abrindo assim precedentes para a perda de direitos básicos como: Férias, 13° salário, entre outros. Cumpre este sindicato e a Central Sindical, o papel de defesa dos patrões. Seguem a lógica coordenada pelo capital, pelo desejo de mais exploração, é mais um tapa na cara dos que chegaram a acreditar em uma possível política de Bem Estar Social no Brasil. O manto caiu, não há nada mais do que esmolas e pequenas contribuições aos brasileiros que realmente produzem, é apenas o achatamento dos salários com relação ao que produzem e agora esta afronta aos direitos básicos. E o pior, o trabalhador se vê sendo traído por sindicatos que deveriam protegê-lo, mas que preferiram cumprir seu papel de fieis escudeiros de um governo Social Democrata (encabeçado por PT e PSEUdo B, fora outros partidos da direita que se congregam a eles) que nada mais faz do que fortalecer uma elite empresarial e um agronegócio exportador em detrimento da qualidade de vida e REAIS MELHORIAS AOS TRABALHADORES.

“Segundo a CNI, as propostas serão lançadas no 7º Encontro Nacional da Indústria (ENAI), que será aberto hoje (5 de dezembro), em Brasília, com a presença de “cerca de 1,5 mil dirigentes empresariais para discutir o futuro da indústria.” A presidenta Dilma Rousseff estará na abertura do encontro.
Sem direitos
A primeira “irracionalidade” apontada pelos industriais é a prevalência do Poder Judiciário sobre convenções e acordos coletivos firmados entre empresas e sindicatos ou trabalhadores. Para a confederação, a invalidação de acordos por parte da Justiça causa insegurança para as empresas.” (2)

TEXTO DE: Bomberman


E só para não se esquecer da corrupção . . . um belo vídeo abaixo, fruto da criatividade de um brasileiro comum, um trabalhador, um brasileiro que não mais aceita mentiras de quem um dia se dizia defensor dos trabalhadores !