terça-feira, 22 de março de 2011

Crise na Líbia

Kadhaf e Berlusconi, uma grande amizade, com direito a até ao líder líbio ter ações do time de futebol do magnata e “dono da Itália”, o Milan.

De ex ditador lunático e terrorista, amado por chefes de estado e exemplo de redenção, há vilão incontestável do mundo civilizado. ( já vimos essa história antes não? )

Uma análise político/econômico/militar.

A atual crise que acomete a Líbia, que serve como o próximo ato dos grandes meios de informação, que em seu teatro de omissão a uma forma critica de apresentar as nuances que cercam este conflito, nos tenta passar apenas um lado acrítico do mesmo, uma versão já pré estabelecida pela lógica das potências econômico/imperialistas que se levantam em armas contra Muammar Kadhaf.

___QUESTÕES POLITICAS E ECONOMICAS.

Mammar Kadhaf, este é o nome do demônio do momento, o alvo de uma construção midiática muito bem arquitetada, os meios de comunicação o tornam um sanguinário ditador que apenas quer se agarrar ao poder.

Mas quem seria Kadhaf na realidade??? Kadhaf fora um militar que dera um golpe de estado em 1969, aos 27 anos de idade, golpe de estado este, que fora responsável pelo fim da monarquia na Líbia.

Kadhaf implanta uma “democracia”, que na realidade não se sustenta, sendo assim mantém uma unidade nacional com base em favores e na força, já que a Líbia é um país com bases em clãs. Ele também escrevera o chamado LIVRO VERDE, livro que se torna mundialmente conhecido. A imprensa internacional, devido a aproximação mais comercial do que ideológica de Kadhaf com a URSS, sita Kadhaf como Marxista, na verdade esta “acusação” teria como intuito difamar o marxismo como teoria política ao ligar este pensamento ideológico com a figura demonizada de kadhaf. Mas que ler este livro verá que as idéias ali escritas divergem em muito com o marxismo.

Kadhaf foi durante boa parte de seu governo um nacionalista convicto, e defendera as riquesas do país com grande coragem, mantendo assim o grande pote Líbio de petróleo longe da sede das potências imperialistas. Mas estas atitudes tiveram seu contra golpe, quando fora acusado de ter dado ordens para a perpetração de um atentado terrorista com uma aeronave Boeing 747 dos EUA sobre a Escócia em 1988, e em 1989 de um atentado no vôo 772 que ia da capital do Congo a Paris.

Estes eventos estão ligados ao fato de Kadhaf estar neste momento ligado ao Pan arabismo, movimento que fora responsável por uma união dos países árabes em defesa de ideais comuns.

O que se seguiu a estas acusações de envolvimento com o terrorismo árabe, fora a imposição de sanções econômicas que abalaram a economia Líbia.

No inicio da década de 1990, Kadhaf abandona seus intuitos nacionalistas em prol de uma aproximação com as potências européias, bem como dos EUA, para o que ele chamava de “um modo menos desconfortável diplomaticamente para trabalhar em seu país”.

O resultado imediato, a abertura da economia Líbia ao capital internacional, provocou uma ação internacional para acabar-se com as sanções econômicas ao país. Kadhaf se tornara o grande “amigo” da vez as sedentas economias imperialistas, de olho no petróleo Líbio.


Kadhaf vendia seu pais, suas riquesas em troca da redenção com o ocidente, apesar de tentar segurar o pouco que restava de sua soberania, com amizades com países de cunho anti imperialista, como a Venezuela de Hugo Chaves. E com economias emergentes e com grande influência internacional, como é o caso do Brasil.

O livro verde: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/livroverde.pdf

Agora o ocidente vê a oportunidade de retirar do poder este líder que por tantos anos fora um “problema” para a fome de suas economias. Inimigo da “globalização”, Kadhaf que fora aclamado como um exemplo de redenção política aos “ditadores” do mundo, agora cai em desgraça.

O atual levante líbio não é de cunho totalmente popular, pois seus líderes tem forte apoio da CIA, e são velhos conhecidos da agência estatal Norte Americana. Muitos dos armamentos vistos nas mãos de militantes ant Kadhaf , foram contrabandeados para dentro do pais com a ajuda da CIA. Pois do inicio da sublevação, estes já estavam bem equipados e já tinham um comando estabelecido.

A imprensa internacional tenta nos confundir ao dar a entender que a revolta na Líbia é igual as que ocorreram no Egito e Bahrein, onde realmente os protestos foram de cunho popular e sem “dedos” estrangeiros.

A desculpa esfarrapada dada pelos aliados imperialistas foi de que o ataque preventivo visava proteger aos civis. Na realidade era um dever para o imperialismo yanque, proteger seus aliados rebeldes, pois caso não o fizesse correria sério risco de perder qualquer chance futura de comprar aliados para futuras ações políticas no oriente médio contra seus desafetos. Uma rápida olhadela nas imagens dos manifestantes pró liberdade e podemos notar seus membros empunhando bandeiras Líbias do período monárquico.

UMA ANÁLISE DO PONTO DE VISTA MILITAR

A Líbia conta com material bélico de procedência francesa e principalmente da URSS. Este material bélico esta obsoleto frente aos armamentos empregados pela coalizão.

A força aérea Líbia utiliza-se de caças franceses Mirage f-1 e caças soviéticos MiG 23, sendo que possivelmente não voe mais seus exemplares de MiG 25.

É uma força aérea que tem poucas horas/vôo anuais, o que se traduz em pouco treinamento, alem de toda a equipagem de navegação e controle de armas destas aeronaves serem analógicas, o que as tornam totalmente atrazadas tecnologicamente com relação aos equipamentos das forças aéreas que atacam a Líbia.

O maior perigo que as aeronaves da coalizão enfrentam, são as baterias anti aéreas, que na líbia são compostas de mísseis soviéticos já quase inoperantes por conta do longo período de embargos, os principais modelos em operação são os Sa-3 e Sa- 2.

Por isso, nas imagens transmitidas do conflito podemos observar a reação praticamente ineficaz de baterias anti aéreas compostas por canhões, da família ZSU, que frente as armas ar-terra atuais de guiamento inteligente e longo alcance, nada podem fazer.

As forças de terra de kadhaf contam com uma força ofensiva composta por 800 carros de combate (tanques), de modelos T-55 e T- 72 de fabrico soviético, além de uma quantidade próxima deste numero de viatura blindadas de transporte de tropas, todas de fabrico soviético, uma vez que os cascaveis e urutus que o Brasil vendeu a Líbia nos anos 80, já não estarem mais operantes.

A força militar de Kadhaf está na quantidade de homens que pegam em armas ao seu lado, pois está a mercê dos ataques aéreos da coalizão.

TEXTO DE: BOMBERMAN

segunda-feira, 21 de março de 2011

Algumas verdades sobre o conflito na Líbia

Retirado de:http://por-tras-dos-fatos.blogspot.com/2011_03_01_archive.html
[Ué? Os EUA não são contra as ditaduras?]

Engraçado como vemos de uma forma misteriosa nascerem ditaduras que nunca haviam sido divulgadas na mídia. Tantos anos de ditadura e arrecem agora a mídia arrecem faz um grande alarde impulsinando as revoltas? Por que eles não haviam feito isso antes? Por que esperaram tanto?
A resposta é simples: enquanto esses presidentes não são incomôdo aos interesses das grandes potências, ou são coniventes com o imperialismo, eles não precisam ser derrubados, mesmo que seja alguma Monarquia sanguinária das mais teocráticas e absolutistas. Ao contrário, ditadores são bons pra controlar rebeldes que possam prejudicar os interesses das potências caso tomem o poder.
[Kadafi e Berlusconi (par perfeito!)]
Como você vêem nas imagens, Kadafi sempre teve boa diplomacia com as potências imperialistas que hoje invadem o país como a Itália e os EUA por exemplo.
Isso mostra a conivência dos imperialistas franceses, americanos, italianos e britânicos com as piores ditaduras. Essas ditaduras sempre foram convenientes para essas potências. Suas multinacionais eram as que exploram o petróleo entre outros recursos naturais.

Eu, particularmente, sou contra a ditadura de Kadafi, e presto minha solidariedade ao povo Líbio contra esse e todos os ditadores e monarcas da zona.
Também sou contra a invasão criminosa do imperialismo europeu e norte-americano se intrometendo no conflito.
Embora as potências tenham manifestado apoio ao movimento popular, esse apoio é uma forma de garantir que grupos radicais subam ao poder. Essa intromissão imperialista em favor do povo é não é preocupação com direitos humanos, senão já haveriam derrubado-o há muito tempo... Essa intromissão garante que os próximos a chegarem ao poder abram seu mercado, acabem com protecionismos, deixem as multinacionais explorarem o petróleo e riquezas naturais.
Caso o Movimento Popular seja anti-imperialista e nacionalista, Líbia irá se tranformar num novo Iraque, onde o país é invadido para derrubar o ditador, controlar as milícias populares, e instaurar algum governo que mantenha toda a estrutura favorável às potências.

Fora da Líbia imperialistas! E fora Kadafi! O povo Líbio não precisa da ajuda de seus inimigos! Se Kadafi tiver que sair, que saia pelas mãos do próprio povo Líbio. Que as soberanias nacionais sejam respeitadas e todas as nações tenham autonomia para resolver seus negócios internos, sem nações apoiando esse ou aquele lado; afinal, você não entra na casa do seu vizinho para defendê-lo de uma briga com a esposa, não é?

quinta-feira, 17 de março de 2011

THE WALL

Carta aberta de Roger Waters sobre o muro do apartheid israelita

imagemCrédito: Diário Liberdade

Roger Waters

Em 1980, uma canção que escrevi, "Another Brick in the Wall Part 2", foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava a ser usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igual. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinianas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: "Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!" Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas estavam a cantar.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para actuar em Telavive.

Palestinianos do movimento de boicote académico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já me tinha manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinianos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestiniano ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinianos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinianos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos do controlo das ideias".

Realizando nesse momento que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que eu estava a testemunhar, cancelei o meu concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintainhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinianos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestiniano tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestiniano não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestiniano não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controlo repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinianos de Gaza cercados e os palestinianos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinianos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a actuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, isto significou juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabo-palestinianos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinianos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 das NU.

A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é antisemita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.

Os artistas tiveram razão de recusar-se a actuar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar actuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinianos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

Fonte: Diário Liberdade

_____________________________

GRANDE ATITUDE DESTE MESTRE DA BOA E INTELIGENTE MUSICA, EIS AGORA UMA DAS GRANDES COMPOSIÇÕES DESTE SENHOR DA MUSICA:


Obrigado Watters

video

Revolta e repressão

Nota do MAB sobre a revolta dos operários na Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia

Greve dos operários da Usina de Santo Antônio, no rio Madeira, Rondônia.

Nesta semana acompanhamos a revolta dos operários na Usina Hidrelétrica de Jirau contra as empresas que controlam a barragem. Existem informações de que os mais de 15 mil operários da obra estão em situação de superexploração, com salários extremamente baixos, longas jornadas e péssimas condições de trabalho, que existe epidemia de doenças dentro da usina e não existe atendimento adequado de saúde, que o transporte dos operários é de péssima qualidade, sofrem com a falta de segurança e que mais de 4.500 operários estão ameaçados de demissão. Esta é a realidade da vida dos operários.

Esta situação tem como principal responsável os donos da usina de Jirau, o Consórcio formado pela transnacional francesa Suez, pela Camargo Corrêa e pela Eletrosul. As revoltas dos operários dentro das usinas tem sido cada vez mais frequentes e isso é fruto da brutal exploração que estas empresas transnacionais impõem sobre seus trabalhadores.

Há pouco tempo houve revolta na usina de Foz do Chapecó, também de propriedade da Camargo Corrêa, em 2010 houve a revolta dos operários da usina de Santo Antonio e agora temos acompanhado a revolta dos operários da usina de Jirau.

As empresas construtoras de Jirau são as mesmas que foram denunciadas em recente relatório de violação de Direitos Humanos, aprovado pelo Governo Federal, que constatou que existe um padrão de violação dos direitos humanos em barragens e de criminalização, sendo que 16 direitos têm sido sistematicamente violados na construção de barragens. Os atingidos por barragens e os operários tem sido as principais vítimas.

A empresa Suez, principal acionista de Jirau, é dona da Barragem de Cana Brava, em Goiás, e Camargo Corrêa é dona da usina de Foz do Chapecó, em Santa Catarina. Essas duas hidrelétricas também foram investigadas pela Comissão Especial de Direitos Humanos em que foi comprovada a violação. Estas empresas tem uma das piores práticas de tratamento com os atingidos e com seus operários.

Em junho de 2010, o MAB já havia alertado a sociedade que em Jirau havia indícios e denúncias, que circularam na imprensa local, de que as empresas donas da Usina de Jirau haviam contratado ex-coronéis do exército para fazer uma espécie de trabalho para os donos da usina de Jirau e não seria surpresa se estes indivíduos contratados pelas empresas promovessem ataques ou sabotagens contra os operários e atingidos, para jogar uns contra os outros e/ou criminalizar nossas organizações e sindicatos.

A revolta dos operários é reflexo desse autoritarismo e da ganância pela acumulação de riqueza através da exploração da natureza e dos trabalhadores. Prova desse autoritarismo e intransigência é que estas empresas se negam a dialogar com os atingidos pela usina e centenas de famílias terão seus direitos negados. As consequências vão muito além disso, pois nesta região se instalou os maiores índices de prostituição e violência.

Em 2011, O MAB completa 20 anos de luta e os atingidos comemoram a resistência nacional, mas também denunciam que estas empresas não tem compromisso com a população atingida e nem com seus operários. Recebem altas taxas de lucro que levam para seus países e o povo da região fica com os problemas sociais e ambientais.

O MAB vem a público exigir o fim da violação dos direitos humanos em barragens e esperamos que as reivindicações por melhores condições de trabalho e vida dos operários sejam atendidas.

Água e energia não são mercadorias!

Coordenação Nacional
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

quarta-feira, 16 de março de 2011

VERDADE ESCONDIDA (mais uma vez)

Aumenta o perigo de intervenção imperialista na Líbia

por Sara Flounders

Cartoon de Fernão Campos.A pior coisa que poderia acontecer ao povo da Líbia seria uma intervenção dos EUA.

A pior coisa que poderia acontecer ao levantamento revolucionário que sacode o mundo árabe seria uma intervenção dos EUA na Líbia.

A Casa Branca está a reunir-se com os seus aliados dos países imperialistas europeus da NATO para discutir a imposição de uma zona de interdição de voo(no-fly zone) sobre a Líbia, a interferência electrónica de todas as comunicações do presidente Moammar Kadafi dentro da Líbia e o estabelecimento de corredores militares dentro da Líbia a partir do Egipto e da Tunísia, supostamente para "assistir refugiados".(New York Times, 27 Fev.)

Isto significa posicionar tropas dos EUA/NATO no Egipto e na Tunísia junto aos dois mais ricos campos petrolíferos da NATO, tanto a Leste como a Oeste. Significa o Pentágono coordenar manobras com militares egípcios e tunisinos. O que é que poderia ser mais perigoso para as revoluções egípcia e tunisina?

A Itália, outrora a colonizadora da Líbia, suspendeu um tratado de 2008 com a Líbia que incluía uma cláusula de não agressão, movimento que poderia permitir que fizesse parte de futuras operações de "manutenção da paz" ali e permitir a utilização das suas bases militares em qualquer intervenção possível. Várias bases dos EUA e da NATO na Itália, incluindo a base da Sexta Frota dos EUA em Nápoles, poderiam ser áreas de preparação para acções contra a Libia.

O presidente Barack Obama anunciou que "o conjunto completo de opções" está a ser considerado. Esta é a linguagem de Washington para operações militares.

A secretária de Estado Hillary Clinton encontrou-se em Genebra a 28 de Fevereiro com ministros de Negócios Estrangeiros no Conselho da ONU de Direitos Humanos para discutir possíveis acções multilaterais.

Enquanto isso, a somar-se aos tambores de guerra pela intervenção militar, está a divulgação de uma carta pública do Foreign Policy Initiative, um think tank de extrema direita considerado como o sucessor do Project for the New American Century, a apelar para que os EUA e NATO preparem "imediatamente" acção militar para ajudar a deitar abaixo o regime Kadafi.

Dentre os signatários do apelo público incluem-se William Kristol, Richard Perle, Paul Wolfowitz, Elliott Abrams, Douglas Feith e mais de uma dúzia de antigos altos responsáveis da administração Bush, mais vários democratas liberais eminentes tais como Neil Hicks do Human Rights First e John Shattuck, chefe dos "direitos humanos" de Bill Clinton.

A carta apela a sanções económicas e acções militares: posicionamento de aviões de guerra e de uma frota naval da NATO para impor zonas de interdição de voo e para ter capacidade de neutralizar vasos navais líbios.

Os senadores John McCain e Joseph Lieberman, quando em Tel Aviv a 25 de Fevereiro, apelaram a Washington para o fornecimento de armas aos rebeldes líbios e ao estabelecimento de uma zona de interdição de voo sobre o país.

Não se pode ignorar os apelos a contingentes da ONU de trabalhadores médicos e humanitários, monitores de direitos humanos e investigadores do Tribunal Penal Internacional a serem enviados à Líbia com uma "escolta armada".

Proporcionar ajuda humanitária não tem de incluir militares. A Turquia evacuou 7000 dos seus cidadãos em ferries e voos charter. Uns 29 mil trabalhadores chineses deixaram o país via ferries, voos charter e transportes terrestres.

Contudo, o modo pelo qual as potências europeias estão a evacuar os seus cidadãos da Líbia durante esta crise envolve uma ameaça militar e faz parte da manobra imperialista para obter posições futuras na Líbia.

A Alemanha enviou três navios de guerra, com 600 soldados, e dois aviões militares para retirar 200 empregados alemães da empresa de exploração de petróleo Wintershall de um campo no deserto a 600 milhas [965 km] a Sudeste de Trípoli. Os britânicos enviaram o navio de guerra HMS Cumberland para evacuar 200 cidadãos seus e anunciaran que o destróier York estava a caminho a partir de Gibraltar.

Os EUA anunciaram a 28 de Fevereiro que estavam a enviar o enorme porta-aviões USS Enterprise e o navio anfíbio de assalto USS Kearsarge do Mar Vermelho para as águas ao largo da Líbia, onde juntar-se-ão ao USS Mount Whitney e outros navios de guerra da Sexta Frota. Oficiais estado-unidenses chamam a isto um "pré-posicionamento de activos militares".

ONU VOTA SANÇÕES

O Conselho de Segurança da ONU – sob a pressão dos EUA – em 26 de Fevereiro votou pela imposição de sanções à Líbia. Segundo estudos de agências da própria ONU, mais de um milhão de crianças iraquianas morreram em consequência de sanções impostas pelos EUA/ONU àquele país, que aplanaram o caminho para uma invasão real dos EUA. Sanções são crimes e confirmam que esta intervenção não se deve a preocupações humanitárias.

A absoluta hipocrisia da resolução sobre a Líbia exprimindo preocupação pelos "direitos humanos" é difícil de superar. Apenas quatro dias antes da votação, os EUA utilizaram o seu direito de veto para impedir uma resolução redigida em linguagem moderada que criticava colonatos israelenses em terra palestina na Cisjordânia.

O governo dos EUA impediu o Conselho de Segurança de adoptar qualquer acção durante o massacre israelense de Gaza em 2008, o qual resultou nas mortes de mais de 1500 palestinos. Estes corpos internacionais, bem como o Tribunal Penal Internacional, têm estado silenciosos sobre massacres israelenses, sobre ataques de aviões sem pilotos dos EUA a civis indefesos no Paquistão e sobre as criminosas invasões e ocupações do Iraque e do Afeganistão.

O facto de a China ter anuído à votação das sanções é um exemplo infeliz de como o governo de Pequim permite que o seu interesse no comércio e nos embarques continuados de petróleo prevaleçam sobre a sua passada oposição a sanções que prejudicam claramente populações civis.

QUEM DIRIGE A OPOSIÇÃO?

É importante olhar o movimento de oposição, especialmente aqueles que estão a ser amplamente citados em todos os media internacionais. Devemos assumir que pessoas que sofreram injustiças reais dele participam. Mas quem realmente dirige o movimento?

Um artigo de primeira página no New York Times de 25 de Fevereiro descrevia quão diferente é a Líbia em relação às outras lutas que estalam por todo o mundo árabe. "Ao contrário das rebeliões juvenis possibilitadas pelo Facebook, aqui a insurreição foi conduzida por pessoas que são mais maduras e que têm estado a opor-se activamente ao regime durante algum tempo". O artigo descreve como foram contrabandeadas armas através da fronteira com o Egipto ao longo de semanas, permitindo à rebelião "escalar rápida e violentamente em pouco mais de uma semana".

O grupo de oposição mais amplamente citado é a Frente Nacional para a Salvação da Líbia. A FNSL, fundada em 1981, é conhecida por ser uma organização financiada pela CIA, com escritórios em Washington, DC. Ela tem mantido no Egipto, junto à fronteira, uma força militar chamada Exército Nacional Líbio. Se se procurar no Google"National Front for the Salvation of Libya" e "CIA" rapidamente descobrem-se centenas de referências [NR: 16.900 resultados]

Também é muito citada a National Conference for the Libyan Opposition. Isto é uma coligação constituída pela FNSL que também inclui a Libyan Constitutional Union, dirigida por Muhammad as-Senussi, um aspirante ao trono líbio. O sítio web da LCU apela a que o povo líbio reitere um juramento de lealdade ao rei Idris El-Senusi como seu líder histórico. A bandeira utilizada pela coligação é a do antigo reino da Líbia.

É claro que estas forças financiadas pela CIA e antigos monárquicos são politicamente e socialmente diferentes da juventude e trabalhadores privados de direitos que marcharam aos milhões contra ditadores apoiados pelos EUA no Egipto e na Tunísia e estão hoje a manifestar-se no Bahrain, Iémen e Oman.

Segundo o artigo do Times, a ala militar da FNSL, utilizando armas contrabandeadas, rapidamente tomou postos policiais e militares na cidade portuária de Benghazi e áreas vizinhas que estão a norte dos mais ricos campos de petróleo da Líbia e onde se localiza a maior parte dos oleodutos, gasodutos, refinarias e terminal portuário de gás natural liquefeito. O Times e outros media ocidentais afirmam que esta área, agora sob "controle da oposição", inclui 80 por cento das instalações petrolíferas da Líbia.

A oposição líbia, ao contrário de movimentos alhures no mundo árabe, desde o princípio apelou à assistência internacional. E os imperialistas responderam rapidamente.

Exemplo: Mohammed Ali Abdallah, vice secretário-geral da FNSL, emitiu um apelo desesperado: "Estamos à espera de um massacre". "Estamos a enviar um SOS à comunidade internacional para intervir". Sem esforços externos para conter Kadafi, "haverá um banho de sangue na Líbia nas próximas 48 horas".

O Wall Street Journal, a voz do big business, num editorial em 23 de Fevereiro dizia que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubar o regime Kadafi".

INTERESSE DOS EUA – PETRÓLEO

Por que Washington e as potências europeias estão desejosos e ansiosos por actuarem na Líbia?

Quando acontece algo novo é importante rever o que sabemos do passado e perguntar sempre quais são os interesses das corporações estado-unidenses na região.

A Líbia é um país rico petróleo – um dos 10 mais ricos do mundo. A Líbia tem as maiores reservas provadas da África, pelo menos 44 mil milhões de barris. Ela tem estado a produzir 1,8 milhão de barris de petróleo por dia – um bruto leve que é considerada da melhor qualidade e precisa de menos tratamento do que a maior parte dos outros petróleos. A Líbia também tem grandes depósitos de gás natural que é fácil canalizar directamente para mercados europeus. É um país grande em área com uma pequena população de 6,4 milhões de pessoas.

É assim que as poderosas corporações petrolíferas e militares dos EUA, bancos e instituições financeiras que dominam os mercados globais encaram a Líbia.

Petróleo e gás são hoje as commodities mais valiosas e a maior fonte de lucros no mundo. Ganhar o controle de campos petrolíferos, oleodutos, gasodutos, refinarias e mercados orienta grande parte da política imperialista dos EUA.

Durante as duas décadas de sanções dos EUA sobre a Líbia, com que Washington pretendia deitar abaixo o regime, interesses corporativos europeus investiram pesadamente no desenvolvimento de pipelines e infraestruturas ali. Cerca de 85 por cento das exportações da Líbia vão para a Europa.

Transnacionais europeias – em particular a BP, Royal Dutch Shell, Total, ENI, BASF, Statoil e Repsol – dominaram o mercado do petróleo da Líbia. As corporações gigantes dos EUA foram deixadas fora destes negócios lucrativos. A China tem estado a comprar uma quantidade crescente do óleo produzido pela National Oil Corp. da Líbia e construiu um pequeno oleoduto na Líbia.

Os enormes lucros que poderiam ser feitos com o controle do petróleo e gás natural da Líbia são o que está por trás do apelo trombeteado pelos media corporativos dos EUA pela "intervenção humanitária para salvar vidas".

Manlio Dinucci, jornalista italiano que escreve para Il Manifesto, explicou em 25 de Fevereiro que "se Kadafi for derrubado, os EUA seriam capazes de fazer ruir toda a estrutura das relações económicas com a Líbia, abrindo o caminho para multinacionais com base nos EUA, até agora quase totalmente excluídas da exploração das reservas de energia na Líbia. Os Estados Unidos poderiam então controlar a torneira de fontes de energia de que a Europa depende amplamente e que também abastecem a China" .

ANTECEDENTES

A Líbia foi uma colónia italiana desde 1911 até a derrota da Itália na II Guerra Mundial. As potências imperialistas ocidentais após a guerra estabeleceram por toda a região regimes que eram chamados estados independentes mas eram encabeçados por monarcas nomeados sem o voto democrático do povo. A Líbia tornou-se um país nominalmente soberano, mas estava firmemente amarrado aos EUA e Grã-Bretanha sob um novo monarca – o rei Idris.

Em 1969, quando uma onda de lutas anti-coloniais varreu o mundo colonizado, oficiais militares de baixa patente moldados pelo revolucionário nacionalismo pan-árabe derrubaram Idris, que estava em férias na Europa. O líder do golpe era Moammar Kadafi, com 27 anos.

A Líbia mudou o seu nome de Reino da Líbia para República Árabe Líbia e posteriormente para Grande Jamahiriya Árabe Líbia do Povo Socialista.

Os jovens oficiais ordenaram o encerramento das bases dos EUA e Grã-Bretanha na Líbia, incluindo a grande Base Aérea Wheelus do Pentágono. Nacionalizaram a indústria petrolífera e muitos interesses comerciais que estavam sob o controle imperialista estado-unidense e britânico.

Estes oficiais não chegaram ao poder num levantamento revolucionário das massas. Não foi uma revolução socialista. Ainda era uma sociedade de classe. Mas a Líbia já não estava sob domínio estrangeiro.

Foram efectuadas muitas mudanças progressistas. A nova Líbia obteve muitos ganhos económicos e sociais. As condições de vida para as massas melhoraram radicalmente. A maior parte das necessidades básicas – alimentação, habitação, combustível, cuidados de saúde e educação – foram fortemente subsidiadas ou tornaram-se inteiramente gratuitas. Os subsídios foram utilizados como o melhor meio de redistribuir a riqueza nacional.

As condições para as mulheres mudaram radicalmente. Em 20 anos a Líbia alcançou a mais alta classificação no Índice de Desenvolvimento Humano da África – uma medida da ONU de expectativa de vida, realização educacional e rendimento real corrigido. Ao longo das décadas de 1970 e 1980 a Líbia tornou-se conhecida internacionalmente por adoptar fortes posições anti-imperialistas e apoiar outras lutas revolucionárias, desde o Congresso Nacional Africano na África do Sul até a Organização de Libertação da Palestina e o Exército Republicano Irlandês.

Os EUA executaram numerosas tentativas de assassínio e tentativas de golpe contra o regime Kadafi e financiaram grupos armados de oposição, tais como a FNSL. Alguns ataques foram flagrantes e abertos. Exemplo: sem aviso prévio 66 jactos dos EUA bombardearam Trípoli, a capital líbia, e a sua segunda maior cidade, Benghazi, em 15 de Abril de 1986. A casa da Kadafi foi bombardeada e a criança sua filha morta no ataque, juntamente com centenas de outros.

Ao longo das décadas de 1980 e 1990 os EUA tiveram êxito em isolar a Líbia através de severas sanções económicas. Foram feitos todos os esforços para sabotar a economia e desestabilizar o governo.

DEMONIZAÇÃO DE KADAFI

Cabe ao povo da Líbia, da África e do mundo árabe avaliar o papel contraditório de Kadafi, o presidente do Conselho do Comando Revolucionário da Líbia. O povo daqui [EUA], no centro de um império construído sobre a exploração global, não deveria aderir às caracterizações racistas, ridicularizações e demonizações de Kadafi que saturam os media corporativos.

Mesmo que Kadafi fosse tão sereno e austero quanto um monge e tão cuidadoso quanto um diplomata, como presidente de país africano rico em petróleo anteriormente subdesenvolvido ele ainda teria sido odiado, ridicularizado e demonizado pelo imperialismo dos EUA se houvesse resistido ao domínio corporativo estado-unidense. Esse foi o seu crime real pelo qual nunca foi esquecido.

É importante assinalar que termos degradantes e racistas nunca são utilizados contra peões ou ditadores confiáveis dos EUA, não importa quão corruptos ou brutais possam ser para o seu próprio povo.

AMEAÇAS DOS EUA OBRIGAM A CONCESSÕES

Foi após o crime de guerra dos EUA denominado "pavor e choque", com o maciço bombardeamento aéreo do Iraque seguido de uma invasão terrestre e ocupação, que a Líbia finalmente sucumbiu às exigências estado-unidenses. Após décadas de solidariedade militante e anti-imperialista, a Líbia mudou de curso drasticamente. Kadafi ofereceu ajuda aos EUA na sua "guerra ao terror".

As exigências de Washington foram onerosas e humilhantes. A Líbia foi forçada a aceitar a plena responsabilidade pelo derrube do avião de Lockerbie e a pagar US$2,7 mil milhões em indemnizações. Isso foi só o princípio. A fim de as sanções dos EUA serem suspensas, a Líbia teve de abrir seus mercados e "reestruturar" a sua economia. Tudo isso fez parte do pacote.

Apesar das muitas concessões de Kadafi e das subsequentes grandes recepções em sua homenagem por parte de chefes de estado europeus, o imperialismo estado-unidense estava a planear a sua humilhação completa e a sua queda. Think tanks dos EUA empenhavam-se em numerosos estudos sobre como minar e enfraquecer o apoio popular de Kadafi.

Estrategas do FMI aterraram na Líbia com programas. Os novos conselheiros económicos prescreveram as mesmas medidas que impõem a todo país em desenvolvimento. Mas a Líbia não tinha uma dívida externa; tinha uma balança comercial positiva de US$27 mil milhões por ano. A única razão porque o FMI exigiu acabar com os subsídios de necessidades básicas era minar a base social de apoio ao regime.

A "liberalização do mercado" da Líbia significou um corte de US$5 mil milhões no valor dos subsídios anuais. Durante décadas o estado estivera a subsidiar 93 por cento do valor de várias commodities básicas, nomeadamente combustível. Depois de aceitar o programa do FMI, o governo duplicou o preço da electricidade para os consumidores. Houve uma alta súbita de 30 por cento nos preços dos combustíveis. Isto desencadeou aumentos de preços em muitos outros bens e serviços.

Disseram à Líbia para privatizar 360 empresas estatais, incluindo siderurgia, cimenteiras, firmas de engineering, fábricas de alimentos, linhas de montagem de camiões e autocarros e unidades agrícolas estatais. Isto resultou em milhares de trabalhadores desempregados.

A Líbia teve de vender uma fatia de 60 por cento na companhia petrolífera estatal Tamoil Group e privatizar a sua Companhia Geral Nacional de Farinhas e Forragens.

O Carnegie Endowment Fund estava a controlar o impacto das reformas económicas. Um relatório de 2005 intitulado "Reforma económicas irritam cidadãos líbios" (“Economic Reforms Anger Libyan Citizens”), de Eman Wahby, dizia que "Outro aspecto da reforma estrutural foi o fim das restrições a importações. Foram garantidas licenças a companhias estrangeiras para exportar para a Líbia através de agentes locais. Em consequência, produtos de todo mundo inundaram o mercado líbio anteriormente isolado". Isto foi um desastre para os trabalhadores nas fábricas da Líbia, as quais não estavam preparadas para enfrentar a competição.

Mais de US$4 mil milhões entraram na Líbia, a qual se tornou o principal receptor africano de investimento estrangeiro. Como os banqueiros e os seus think tanks bem sabem, isto não beneficiou as massas líbias, empobreceu-as.

Mas não importava o que Kadafi fizesse, nunca era o suficiente para o poder corporativo dos EUA. Os banqueiros e financeiros queriam mais. Não havia confiança. Kadafi havia-se oposto aos EUA durante décadas e ainda era considerado altamente "inconfiável".

Em Maio de 2005 a revista US Banker publicou um artigo intitulado "Mercados emergente: Será a Líbia a próxima fronteira para bancos dos EUA?" ("Emerging Markets: Is Libya the Next Frontier for U.S. Banks?"). Ali se dizia que "Quando o país atravessa reforma, os lucros acenam. Mas o caos abunda". A revista entrevistou Robert Armao, presidente do Conselho Económico e Comercial EUA-Líbia com sede em Nova York: "Todos os grandes bancos ocidentais agora estão a explorar oportunidades ali", disse Armao. "A situação política com Kadafi ainda é muito suspeita". O potencial "parece maravilhoso para bancos. A Líbia é um país intacto e uma terra de oportunidade. Ela acontecerá, mas isso pode levar algum tempo".

A Líbia nunca foi um país socialista. Sempre houve ali vasta riqueza herdada e velhos privilégios. É uma sociedade de classe com milhões de trabalhadores, muitos deles imigrantes.

Reestruturar a economia a fim de maximizar lucros para banqueiros ocidentais desestabilizou relações, mesmo nos círculos dirigentes. Quem obtém negócios de privatização de indústrias chave, que famílias, que tribos? Quem é deixado de fora? Velhas rivalidades e competições vieram à superfície.

Quão cuidadosamente o governo dos EUA estava a monitorar estas mudanças impostas pode ser visto nos telegramas da Embaixada dos EUA em Trípoli divulgados recentemente pelo WikiLeaks, publicado no jornal britânico Telegraph de 31 de Janeiro. Um telegrama intitulado "inflação sobe na Líbia", enviado em 4 de Janeiro de 2009, descrevia o impacto de "um programa radical de privatização e reestruturação do governo".

"Aumentos significativos foram vistos", dizia o telegrama, "nos preços alimentares – o preço de bens anteriormente subsidiados tais como açúcar, arroz e farinha aumentou 85 por cento em dois anos desde que os subsídios foram suspensos. Materiais de construção também aumentaram significativamente: preços para cimento, madeira aglomerada e tijolos aumentaram 65 por cento no ano passado. O cimento passou de 5 dinares líbios por um saco de 50 kg para 17 dinares em um ano; o preço de varão de aço aumentou num factor de dez.

"O término [pelo governo líbio] de subsídios e controles de preços como parte de um programa mais vasto de reforma económica e privatização certamente contribuiu para pressões inflacionárias e provocou alguns resmungos.

"A combinação de alta inflação e diminuição de subsídios e controles de preços é preocupante para um público líbio habituado a uma maior protecção do governo em relação às forças do mercado".

Estes telegramas da Embaixada dos EUA confirmam que enquanto continuavam a manter e financiar grupos da oposição líbia no Egipto, Washington e Londres também estavam constantemente a medir a temperatura do descontentamento em massa provocado pelas suas políticas.

Hoje milhões de pessoas nos EUA e por todo o mundo estão profundamente inspiradas pelas acções de milhões de jovens nas ruas do Egipto, Tunísia, Bahrain, Iémen e agora Oman. O impacto é sentido mesmo na ocupação de Wisconsin.

É vital ao movimento político com consciência de classe dos EUA resistir às enormes pressões de uma campanha orquestrada para a intervenção militar na Líbia. Uma nova aventura imperialista deve ser desafiada. Solidariedade com os movimentos dos povos! Fora com as mãos dos EUA!

EDUCAÇÃO EM CUBA

Texto com 11 anos, mas com temática muito atual sobre a infância em Cuba e seu contraste com boa parte do mundo.

PRIVILEGIADA POR DIREITO:

A INFÂNCIA EM CUBA


Em torno do mundo contemporâneo se começa um panorama ameaçado pela violência, o homem, a miséria, os conflitos bélicos, a contaminação, outros fenômenos atmosféricos, a exploração trabalhista, o desemprego a prostituição, as drogas e a morte que atormentam ao gênero humano, com maior ênfase de suas seqüelas sobre os mais jovens. Cuba ao reverso da moeda. A partir de 1959, a Revolução conferiu a nova geração, seu futuro, à prioridade máxima. Por eles na Maior Antilha se defende a esperança todos os dias.


Luz Marina Fornieles Sánches
Havana, 2000.
Especial da Agência de Informação Nacional


As galopantes calamidades de dilaceram a humanidade, em especial as crianças pequenas, vão desde os conflitos bélicos, passando pela pobreza, pela violência, torturas, pornografia, prostituição, as drogas e até a própria morte, que cada ano leva a vida de 13 milhões de crianças menores de cinco anos.
De tais circunstâncias não escapa nem o chamado primeiro mundo: nos Estados Unidos um menor falece de uma bala perdida a cada 92 minutos como conseqüência da periculosidade reinante neste país, onde outras estatísticas - igualmente aterradoras - afirmam que em média treze crianças são assassinadas diariamente, enquanto seis cometem suicídio e outros três são vítimas de abuso.
Na nação mais rica do planeta e também campeão dos direitos humanos, um menor de cada seis, carece de alimento necessário, afirma um estudo da Tuffs University de Boston, Massachusetts.
Segundo a investigação do Centro sobre a fome e a pobreza dessa instituição, nos Estados Unidos do boom econômico muitas famílias se vêem obrigadas a escolher entre colocar a calefação em sua casa e alimentar seus filhos.
Também constituem alarme notícias em que em tal sentido contribuam com as variadas economias latino-americanas. Uns especialistas sinalizam que no continente mais de 100 milhões de crianças e adolescentes sofrem os rigores da miséria e outros mais de 16 milhões trabalham para subsistir.
Eles representam 17 por cento da população infantil, destacam essas próprias fontes, que assim mesmo precisam que dessa quantidade cinco milhões 100 mil estejam nas idades de 10 a 14 anos.
Mas há mais dados arrepiantes: 20 milhões de adolescente na América Latina não têm acesso a educação média básica e um milhão sofre com a exploração sexual direta o indireta.
Nessa própria sub-região a taxa de mortalidade infantil é e 43 por cada mil nos menores de cinco anos e de 35 nos que ainda não chegam a completar 12 meses, ao dizer da UNICEF, que condena o fato de 40, de cada 100 pessoas, vive na América Latina na mais abjeta pobreza, y o que resulta, todavia, mais crítico, mais da metade são crianças,
Panorama similar refletia Cuba antes de 1959, como foi denunciado em 1953 pelo jovem advogado Fidel Castro, em seus histórico depoimento A História me Absolverá:

"De tanta miséria somente é possível libertar-se com a morte; e a isso ajuda o Estado: a morrer. Os 90 por cento das crianças do campo estão sendo devoradas pelos parasitas que se infiltram da terra pelas unhas dos pés descalços. A sociedade se comove ante a notícia de seqüestro ou de assassinato de uma criatura, mas permanece criminalmente indiferente ante al assassinato em massa que se comete com tantos milhares de crianças que morrem todos os anos por falta de recursos, agonizando entre os estertores da dor e cujos olhos inocentes, já neles o brilho da morte, parecem olhar até o infinito como pedindo perdão para o egoísmo humano, e que não caia sobre os homens a maldição de Deus".


CUBA PÓS 1959: O REVERSO DA MOEDA

Esse certeiro testemunho fez referência a uma etapa, quando na ilha 20 por cento da população mais rica recebia 58 por cento dos salários, enquanto isso 20 por cento dos mais pobres recebia somente dois por cento.
Os 24 por cento a população ativa se achava então desocupada e não de garantia a educação: existia um milhão de analfabetos e a escolarização infantil entre os seis e os catorze anos atingia só a 56 por cento.
Tais parâmetros eram ainda mais negativos nas zonas rurais, onde 61 por cento dos pequenos (nessas mesmas idades) não freqüentavam as escolas primárias. Tampouco ali se dava cobertura médica.
Somente as profundas mudanças sociais promovidas pela Revolução que faz 41 anos puderam eliminar esse estado deplorável e dar um passo à outra situação, na qual a nova geração, o futuro, tem a máxima prioridade. Por eles na maior das Antilhas se defende a esperança todos os dias, a partir da própria alvorada de Primeiro de Janeiro de 1959.
Com freqüência - e não sem razão - se diz que a pequena ilha é uma grande escola pelos notáveis triunfos de seu sistema de ensino, totalmente gratuito, inclusive comparado com nações desenvolvidas.
Sua taxa de escolarização é de 99 por cento. No atual curso letivo (2000-2001) assistem às aulas mais de dois milhões e quatrocentos mil educandos.
Os avanços na matéria ajudaram a que a ilha comande a educação pré-escolar na América Latina: 89,9 por cento das crianças cubanas entre zero e cinco anos é dizer 868 mil 121 menores, obtêm atenção educativa, uma estatística record na América Latina.
Deles, 150 mil estão matriculados em creches (círculos infantis), 146 mil em turmas de pré-escolar e aos restantes lhes chega essa influência mediante um programa da UNESCO pelo qual os pais recebem orientações para seus filhos transmitidas por educadores e médicos do bairro onde moram.
Com os mil cento e sete currículos criados ao longo de todo o arquipélago em quase 40 anos, se beneficiam mais de 136 mil mães. O orçamento destinado a esses seminários supera os 110 milhões de pesos (1 peso equivale a 1 dólar no câmbio oficial).
Segundo outro documento do mesmo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) as crianças nascidas na América Latina e Caribe em 2000 e 2001 têm uma esperança de vida de 70 anos ou mais que a média mundial, esse próprio texto revela que os estudantes cubanos sabem muito mais de matemática do que seus colegas latino-americanos.
Também de acordo com esse próprio órgão internacional, a ilha volta a destacar-se, porque a partir de 1959, Cuba foi estabelecendo progressivamente um sistema nacional de creches diurnas e programas de educação, na primeira infância e de ensino pré-escolar que hoje abrange a uns 98,3 por cento das crianças nesses grupo, estendido desde o nascimento até os seis anos de idade.
Assim mesmo o Estado cubano mantém uns trinta lares para crianças e jovens (até 17 anos) sem amparo filial por serem órfãos. Isto reforça a vontade nacional de que não haja uma só criança sem escola e sem mestre, nem um só cidadão sem atenção médica desde antes de nascer.
Se, essa última afirmação não constitui de nenhum modo um exagero, porque em Cuba se começa a atender as pessoas quando ainda se encontram no ventre materno, nas primeiras semanas de sua concepção.
Sobrepondo-se as sérias dificuldades econômicas enfrentadas pela nação desde a década passada, conhecidas em seu conjunto como um período especial e considerado o momento mais difícil do processo revolucionário, ainda assim a Ilha cumpriu já muita das metas traçadas para 2000 pelo Cume Mundial da Infância (1990).
Apesar dessas reais circunstâncias, que em outras áreas geográficas destruíram os progressos sociais, nesse território caribenho se destinou do orçamento nacional de 2001, para as atividades de educação dois milhões de pesos e para a saúde o montante supera os mil 815 milhões.
Como vêem essas esferas continuam sendo prioritárias em sua condição de sucessos símbolos para a Revolução.
Precisamente, no ramo da medicina também se alcançou proeminência internacional. Tanto é o caso de sua mortalidade infantil, um indicador universal que mede de forma sintética o bem estar e desenvolvimento de um país, ao abranger condições sociais, econômicas, biológicas, políticas, demográficas e sanitárias da população.
Em 2000 foi de 7,2 mil nascidos vivos, com o qual o arquipélago se mantém com a menor taxa da América Latina e fica registrada a sua vez entre as cinco mais baixas das alcançadas em toda a história local: 7,9 (1996), 7,2 (1997), 7,1 (1998) e 6,4 (1999).
Esse aumento de oito décimos em relação a 99 se produziu a despesas do aumento das taxas de más formações congênitas incompatíveis com a vida, fundamentalmente na Cidade de Havana e Santiago de Cuba.
Dentro do panorama da saúde se se destacam igualmente a erradicação da poliomielite, difteria, tétano neonatal, meningite tuberculosa e as complicações graves da síndrome da rubéola congênita e a meninge-encefalites posterior à caxumba.
Tampouco constituem problemas de saúde a rubéola, o dengue, a malária, o tétano nem a caxumba... E mais recentemente se aderiu a lista o sarampo, após oito anos sem que ocorra um só caso deste mal, que tragicamente produz em outras nações subdesenvolvidas mais de um milhão de mortes ao ano.
Esses êxitos se exibem al mundo mesmo em meio das desigualdades do momento (alimentos, roupas, calçados, medicamentos, transportes, combustível...), quando pesa a todos os menores cubanos no primeiro ano de vida são imunizados contra 12 doenças prevenidas por vacinas, incluindo contra a hepatite B e as contra as gripes.
Isto permitiu que a UNICEF reconhecesse publicamente que "as crianças nascidas em Cuba têm melhor oportunidade de sobreviver nos primeiros anos de vida que os da região da América Latina e Caribe".
Por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca a Cuba em primeiro lugar em imunização por vacinas entre 214 países de todo o planeta.
A política do Estado cubano buscou desde 1959 proteger ao povo, a seus menores e após a promulgação do bloqueio norte-americano contra a nação antilhana em 1961, se tentou e conseguiu atenuar sensivelmente seu impacto. O mesmo se fez posteriormente ante a recessão econômica.
O cerco norte-americano, reforçado primeiro pela Emenda Torricelli (1993) e logo pela lei extraterritorial Helms-Burton (1996), aparece como uma das mais flagrantes violação dos direitos individuais, político, sociais, econômicos e culturais da população cubana e, de forma desmascarada, contra dois milhões de crianças.
Especialistas internacionais admitem que a repercussão dessa política genocida dos Estados Unidos frente a maior das Antilhas se traduz em menores possibilidades de obter medicamentos, utilidades escolares, comida, brinquedos e outros recursos, e que somente foi possível amenizar esta situação graças à vontade nacional e em menor quantidade a solidariedade universal.
Entretanto e apesar de incríveis sacrifícios, Cuba não fecha em seu empenho de continuar concedendo a infância sua condição de privilegiada por direito, em honra de nunca mais o egoísmo humano signifique dor e morte para estes inocentes. (AIN)


CRIANÇAS CUBANAS FORA DO ALCANCE DE AÇOITES MUNDIAIS

200 milhões de crianças no mundo dormem hoje nas ruas. Nenhuma é cubana. 250 milhões de crianças com menos de 13 anos são obrigados a trabalhar para viver. Nenhuma delas é cubana. Mais de um milhão de crianças são forçadas à prostituição infantil e dezenas de milhares foram vítimas do comércio de órgãos. Nenhuma delas é cubana. 25 mil crianças morrem a cada dia no mundo por sarampo, caxumba, difteria, pneumonia e desnutrição. Nenhuma delas é cubana.


OUTRAS CIFRAS HORRIPILANTES:
VEJAM O CONTRASTE NO ENTORNO ADJACENTE


- 600 milhões de crianças crescem em situação de absoluta pobreza.

- 250 milhões de menores entre 5 e 14 anos trabalham (30 milhões deles na América Latina).

- 130 milhões (60% deles meninas) não vão a escola, em todo o planeta.

- Uma em cada quatro crianças que habitam no mundo vive em condições de perigo e mais de 11 milhões morrem a cada ano por causas que poderiam ser evitadas.

- As crianças de rua são estimadas em 200 milhões, a metade entra a cada ano na prostituição.

- Os menores que trabalham ou perambulam estão expostos a serem a agredidos por seus patrões, o público, as autoridades, os pedófilos e por traficantes de todo tipo. Somente na América Latina 60 mil perdem diariamente a vida antes de cumprir cinco anos, e dois milhões não ingressam na escola, enquanto 800 mil que a freqüenta devem abandona-la para buscar o seu sustento. Em 25 países empobrecidos uma criatura que nasce hoje não completará 50 anos, enquanto que um bebe que nasce num estado rico alcançará 78 anos.

- Uns 100 milhões de latino-americanos de 10 a 14 anos são campos da delinqüência, os conflitos armados, comércio de escravas brancas, o narcotráfico e a exploração sexual, entre outras formas de violência.


Tradução de Elizabete Domingues P. da Silva

Racismo na internet.

Cresce a divulgação de idéias neonazistas pela internet
Por Cristiano Alves
Notícia em comunidade virtual, claramente adulterada, baseada em original da ABC News

A idéia de superioridade racial sempre foi uma constante no modelo capitalista contemporâneo. A fim de justificar a opressão dos negros na América, a redação original da Constituição dos Estados Unidos da América considerava os negros como apenas 2/5 humanos, depois promulgando a Lei Jim Crow, de teor nitidamente segregacionista, que proibia casamentos entre pessoas de etnias diferentes e negava direitos sociais aos mestiços. Setores mais reacionários da Igreja Católica, para justificar a escravização de índios nas Américas, defenderam a inexistência de alma em ameríndios e negros, o que foi seguido também por cientistas como Linneu.

O fato é que o racismo, isto é, a discriminação do indivíduo baseado na cor da pele ou etnia deste é uma construção que durante anos tem prejudicado a vida de muitas pessoas e negado direitos fundamentais a estas, produzindo regimes de terror manifestados principalmente em práticas escravistas e sistemas fascistas. Consiste num equívoco acreditar que somente pessoas de cores diferentes são vítimas desta prática. É um fato, por exemplo, que por volta do século XVIII e XIX teve lugar na Europa um verdadeiro surto de "polonofobia", isto é, o ódio contra poloneses. Muitos ideólogos de idéias racistas, principalmente na Alemanha, de maioria "branca", advogavam a idéia de que os poloneses eram uma "raça inferior", equiparada aos negros, Otto von Bismarck referira-se a eles como "animais", tal como lobos, que alguém deveria matar a tiros a vista.[1] Na França, país de maioria branca, durante a Idade Média, a classe dominante francesa apresentava-se como "de sangue normando" e a plebe como "de sangue gaulês", o que justificaria sua dominação. Os judeus europeus, geralmente de tez clara, sofreram pogroms em diversos lugares da Europa e os eslavos da ex-União Soviética perderam mais de 20 milhões de pessoas no maior holocausto da história[2], empreendido desde os primeiros dias da Operação Barbarrossa[3].

Seguindo os seus antepassados, as elites internacionais do capitalismo fomentam o ódio contra determinados grupos sociais, especialmente em países como Brasil, EUA e outros da América Latina, onde tem lugar o capitalismo mais selvagem possível. Michael Moore, cineasta, jornalista e pensador americano, denuncia o uso de programas policiais como instrumento discriminatório anti-negro nos EUA, situação facilmente verificada no Brasil.

A idéia básica do racista tem como premissa a chamada falácia do tipo "generalização apressada", também conhecida por "falsa indução", consistindo em atribuir regras específicas ao caso genérico. Assim, mostra-se um crime bárbaro cometido por uma pessoa de origem africana e usa-se um caso específico como argumento para "provar" que todos os negros são criminosos, argumento que pode ser facilmente desmantelado ao mostrar que existem pessoas de cor que são grandes intelectuais, operários, camponeses ou soldados sem nenhum histórico criminal.

Aleksander Pushkin, maior escritor da Rússia, país de esmagadora maioria branca, era de origem afro-russa
Há que se fazer aos racistas algumas interrogações, quem foi o maior assassino de brancos que a humanidade já teve? Ora, não foi ele um branco, o austríaco, Adolf Hitler? Que países promoveram as maiores guerras de destruição contra países países de maioria branca? Não foram países europeus de maioria branca tais como a Alemanha, Itália(Império Romano incluso) e França? Quem foram os maiores pilhadores e piratas da Idade Média? Não foram eles os vikings? Para muitos especialistas, ainda que todas as pessoas tivessem uma determinada cor, ainda haveria discriminação baseada num dado aspecto físico, uma vez que o racismo é na realidade uma construção social. Por que será que esses noticiários policiais não se preocupam em mostrar os milhões de brancos vítimas de Napoleão Bonaparte, os milhões de brancos vítimas de Hitler, as vítimas de Harry Truman, Clinton, Bush ou as milhares de vítimas do rei Leopoldo II no Congo?

É uma excrescência querer atribuir um determinado crime ou prática a uma determinada etnia, uma vez que delitos ocorrem por razões sociais, passionais, dentre outras, circunstâncias estas que podem estar presente em toda e qualquer etnia, seja ela branca, negra, asiática, hispânica, mediterrânea, nórdica, germânica, eslava, ariana, semita, ou seja lá qual for a divisão que se costuma criar entre seres humanos.

De fato, ante quaisquer estatísticas que os racistas queiram atribuir, nenhuma supera a das matanças de "brancos" pelos próprios "brancos", nenhuma justifica a violência e o ódio contra determinada etnia. Este ódio, que é fomentado por noticiários criminais na mídia burguesa e fomentado por todo um aparato ideológico, de forma aberta ou velada, atingindo facilmente a mente do néscio, do indivíduo desprovido de senso crítico. Embora esse tipo de "noticiário" não seja abertamente racista, eles, tais como certos filmes, transmitem uma mensagem subliminar que induz uma idéia falsa no indivíduo, especialmente aqueles que defendem a manutenção da estrutura social desigual do capitalismo, dos dominadores ou aqueles que aspiram chegar a tal posição, razão pela qual tais idéias encontram terreno fértil na burguesia, nos defensores do liberalismo econômico, que já possuem até o adubo em suas cabeças para a germinação da semente racista e irrigação.

Com a popularização das redes sociais, fica mais evidente o nível de preconceito que está impregnado nas mentes de muitos integrantes da burguesia e pequena-burguesia. Estes não são membros de nenhum partido comunista, onde tais indivíduos inexistem, mas elementos perigosos da sociedade e covardes, uma vez que usam-se com frequência de perfis falsos onde expressam o seu verdadeiro caráter. Através de comunidades orkutianas, revela-se personagens macabros como Mayara Peluso e outros que nem sempre se tornam tão famosos pelos seus crimes. Uma dessas comunidades se chama "BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO", criada em Caps Lock, vinculada a uma sociedade que se auto-intitula "HDB", isto é, "Homens de Bem", embora seu conteúdo sugira exatamente o contrário, dada a sua cumplicidade com um crime manifestamente repudiado inclusive na Constituição da República Federativa do Brasil, equiparado inclusive ao terrorismo.

Tendo o predomínio de membros direitistas dentre seus participantes mais ativos, a comunidade é infestada de opiniões racistas, num de seus tópicos, que traz uma notícia claramente distorcida e manipulada a respeito do estupro de uma garota de 11 anos, a usuária identificada por "Angel", nas mesmas linhas de Mayara Peluso, destila o seu neonazismo: "Minha nossa! Ae vc chama uma raça maldita dessa de macacos ainda vai responder processo! Bando de desgraçados deviam ser picados vivos!"(sic). Um outro membro de viés nitidamente racista apresenta "a raça negra e os pardos" como principais perpetuadores de crimes.

Clique na foto para ampliá-la
As sociedades socialistas como a da antiga União Soviética e da antiga Tchecoeslováquia conseguiram banir o racismo de seu território, empreendendo organizações da infância e da juventude como os Pioneiros e o Komsomol. Países como Cuba e Coréia do Norte também conseguiram destruir o racismo através da educação socialista e de leis implacáveis contra o crime de discriminação, tendo sido a Constituição da União Soviética a primeira a criminalizar a discriminação baseada na etnia ou nacionalidade do indivíduo.

Somente através da supressão da sociedade capitalista e de sua superação através de uma nova democracia é que poderá extirpar a peste racista da face da Terra e levar a humanidade para um novo e mais avançado estágio evolutivo.



[1] Ogónopolski Konkurs Internetowy Historia Strajku Dzieci Wrzesinskich, citado em artigo da Wikipedia em: http://en.wikipedia.org/wiki/Anti-Polish_sentiment
[2] ANDREEV, E.M., et al., Naselenie Sovetskogo Soiuza, 1922-1991. Moscou, Nauka, 1993
[3] Operação Barbarrossa: maior operação de cunho terrorista da história motivado pela ideologia anticomunista e racista eslavófoba em vigor na Alemanha sob o "Reich" de Adolf Hitler, tirano austríaco responsável pela maior guerra da história da humanidade, cujo número de vítimas oscila entre 50 e 60 milhões.